Festival Umundu Lx 2020 arrancou no fim de semana em Lisboa e online

Hans Eickhoff introduzindo a temática do festival

O Festival Umundu Lx 2020 foi lançado na última sexta-feira, dia 9 de outubro, na Escola Secundária Pedro Nunes. O festival foi apresentado pelo co-fundador do Umundu, Patrick Ribeiro.  O projeto teve início há mais de dez anos em Dresden, na Alemanha. Esta é a primeira edição de Lisboa, que começou a ser montada há um ano a partir de uma sessão de Kickoff, no Impact Hub, em setembro de 2019. De lá para cá outras pessoas ingressaram e, assim, compôs-se uma equipa de 35 voluntários.

O Festival Umundu surgiu como resposta à necessidade de criar uma plataforma com a presença de diferentes ativistas e pensadores para a partilha de ideias, debate e convergência de sinergias de projetos e, portanto, para tornar visíveis os problemas da cidade e da sociedade onde se insere. “Há iniciativas em Lisboa, mas estas iniciativas estão escondidas, sem visibilidade na cidade e ainda são poucas”, disse Patrick. Para ele, o que falta é juntar as pessoas. “O festival nasceu desta ideia de juntar pessoas”, revelou.

No momento inicial do lançamento, a artista Ana Pêgo apresentou o seu projeto chamado “Platicus Maritimus”: quatro animações realizadas durante a quarentena que tratam da presença de plástico nos mares e oceanos. As animações são “Temporal nocturno”, “Liberdade é um mergulho no ar”, “Terra”, “Creature from the deep ocean” e “Mar de plástico”.

Hans Eickhoff, membro da equipa organizadora do Festival Umundu, lembrou os motivos para a realização do festival. Uma das questões importantes é que as oportunidades de nos desviarmos da atual trajetória de colapso socioambiental são cada vez mais diminutas, seguindo as previsões do relatório “Limites do Crescimento”, lançado há mais de 50 anos, que aborda o crescimento populacional, a produção agrícola e industrial, a poluição e o consumo de recursos não-renováveis no mundo. O aumento das taxas de concentração de CO₂, a elevação das temperaturas médias globais, provocando o derretimento das calotas polares; e os fenómenos da natureza, como furacões, tempestades e tsunamis são cada vez mais frequentes.

A humanidade utiliza anualmente mais recursos do que o planeta é capaz de regenerar, segundo o conceito de pegada ecológica, desenvolvido em 1990. Sobre o crescimento populacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que até 2050 a população mundial chegue a 9,7 bilhões de pessoas. Isso causará um impacto maior sob o déficit do planeta.

“Estamos a chegar aos pontos de viragem, que se podem tornar pontos de não retorno”, alertou Hans. Como podemos viver e sobreviver dentro dos limites do planeta finito sem o destruirmos?

O festival tem um objetivo comum: mudar o paradigma, tornando-o mais sustentável, e provocar discussões acerca das questões que permeiam a nossa vida da Terra.

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